Donald Trump voltou a falar de Portugal. Fez isso em uma mensagem de vídeo dirigida ao embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, John J. Arrigo, por ocasião das celebrações do Dia da Independência norte-americano. No meio da mensagem, disse que “ama” Portugal, elogiou o país, destacou seus campos de golfe e deixou no ar a possibilidade de uma visita em breve.
Convém começar pelo óbvio: Donald Trump é uma figura profundamente controversa. Seu nome carrega ruído político, excesso, polêmica e uma forma de intervenção pública que não favorece a diplomacia, a serenidade institucional nem a confiança nos processos de decisão.
Por isso, não se trata aqui de fazer de Trump um embaixador desejável de Portugal. Nem de confundir um elogio com um slogan publicitário. Trata-se, antes, de reconhecer algo que é independente de quem o diz: Portugal, e em particular o Algarve, consolidou-se como um dos grandes destinos mundiais de golfe, turismo residencial e investimento lifestyle.
E quando uma personalidade tão ligada ao golfe como Donald Trump — proprietário de campos de golfe, praticante, promotor e conhecedor do setor — sente necessidade de destacar publicamente a qualidade dos campos portugueses, talvez valha a pena olhar para esse reconhecimento não como validação política, mas como sinal de mercado.
Portugal tem hoje cerca de 90 campos de golfe distribuídos pelas várias regiões turísticas do país. Mais de 40 estão no Algarve. Esse dado, por si só, ajuda a explicar a concentração de valor que o golfe tem no sul do país. Não estamos diante de uma oferta marginal, nem de um produto turístico de nicho sem expressão econômica. Estamos diante de uma infraestrutura consolidada, internacionalizada e capaz de atrair uma demanda qualificada durante todo o ano.
O golfe é hoje muito mais do que uma modalidade esportiva. Faz parte integrante do segmento imobiliário de luxo e é um dos grandes motores de decisão para compradores internacionais que procuram qualidade de vida, segurança, clima, serviços, natureza e uma residência que funcione simultaneamente como refúgio, investimento e estilo de vida.
O Algarve parte, nesse contexto, de uma posição difícil de igualar. Tem mais de 300 dias de sol por ano, uma oferta hoteleira madura, ligações aéreas internacionais, praias de excelência, gastronomia de qualidade, segurança, hospitalidade e uma concentração rara de campos de golfe com reconhecimento internacional. Ao contrário de outros destinos, onde o golfe é apenas um complemento, no Algarve ele faz parte da identidade territorial e da proposta de valor.
Vale do Lobo, Quinta do Lago, Vilamoura, Salgados, Lagos ou Carvoeiro não são apenas alguns dos nomes mais sonantes do mapa turístico do golfe. São marcas internacionais de lifestyle. Representam uma forma de viver o sul da Europa com sofisticação, leveza e ligação com a natureza. É por isso que tantos compradores estrangeiros, em especial britânicos, norte-americanos, irlandeses, franceses, alemães e holandeses, continuam a olhar para o Algarve como uma das escolhas mais seguras e desejáveis para comprar uma casa fora de seu país.


Os números ajudam a entender a dimensão dessa realidade. Em 2025, Portugal registrou 32,5 milhões de hóspedes, dos quais 19,7 milhões eram estrangeiros. As receitas turísticas cresceram 5% em relação ao ano anterior. No segundo trimestre de 2025, o Algarve foi a região portuguesa com maior peso nas dormidas, representando 27,1% do total nacional.
O golfe tem aqui uma função estratégica. Atrai um perfil de cliente com poder de compra, estadias prolongadas, relação emocional com o território e capacidade de dinamizar a economia local fora dos meses de maior procura balnear. Combate a sazonalidade, valoriza a envolvente urbana e paisagística e cria demanda por imóveis de elevada qualidade, desde casas em resorts privados até apartamentos com serviços de gestão incluídos.
Este ponto é essencial: o comprador internacional de hoje raramente procura apenas uma segunda casa. Procura uma experiência residencial completa. Quer acordar com vista aberta, jogar pela manhã, almoçar junto à marina, ir à praia à tarde, receber amigos, trabalhar remotamente quando necessário e sentir que vive em um destino com infraestrutura, beleza, segurança e prestígio.
É nessa lógica que os resorts residenciais próximos a campos de golfe ganham particular relevância. Mais do que simples empreendimentos imobiliários, esses projetos representam uma nova forma de viver o Algarve: com acesso a serviços de elevada qualidade, paisagismo cuidado, privacidade, segurança e uma relação direta com a natureza e com o esporte. As casas, villas e apartamentos inseridos nesses contextos respondem a uma demanda cada vez mais sofisticada, de compradores que valorizam não apenas o imóvel, mas todo o ecossistema que o rodeia.
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A afirmação desse tipo de produto também é simbólica da capacidade do Algarve de continuar a se reinventar. A região já não compete apenas pelo sol, pela praia ou pela tradição turística. Compete pela qualidade da experiência residencial, pela arquitetura, pela sustentabilidade, pela gestão profissional dos resorts, pela oferta de serviços e pela consistência do destino ao longo de todo o ano.
Em um mercado global em que Espanha, Itália, Grécia ou Marrocos disputam o mesmo comprador qualificado, Portugal precisa continuar elevando a régua. Bons campos de golfe são fundamentais, mas já não bastam. É preciso criar lugares excepcionais para viver, investir e voltar. Lugares com bom desenho urbano, baixa densidade, serviços eficientes, manutenção rigorosa, integração paisagística e capacidade de preservar aquilo que torna o Algarve diferente.
É aqui que o elogio de Trump, apesar de incômodo pela origem, pode ser útil. Porque nos lembra que a reputação internacional de Portugal no golfe já ultrapassou os círculos especializados. Chegou à linguagem diplomática, midiática e econômica. E, no mundo contemporâneo, a percepção é parte essencial do valor.


Nos últimos anos, Portugal tem acumulado distinções como melhor destino de golfe do mundo e da Europa. Esses reconhecimentos não são irrelevantes. Em um setor global cada vez mais competitivo, os prêmios, rankings e referências internacionais influenciam decisões de viagem, investimento e compra imobiliária. Não substituem a qualidade real do destino, mas a ampliam. Criam confiança antes da visita e reforçam a decisão depois da experiência.
Mas há uma diferença importante entre aproveitar a visibilidade e depender dela. Portugal não precisa de Trump para ser reconhecido. Nossos campos, resorts, paisagens e comunidades residenciais falam por si. O golfe português é hoje um ativo nacional. Não apenas esportivo, mas econômico, turístico, imobiliário e reputacional. E o Algarve é seu palco principal. Mas o impacto vai muito além dos greens: está nos empregos que cria, nos serviços que dinamiza, nas casas que valoriza, nos investidores que atrai e na imagem de sofisticação que projeta para o mundo.
Podemos manter distância crítica de Donald Trump. Mas não precisamos desperdiçar o momento. Quando uma figura global coloca Portugal e seus campos de golfe nas notícias, o país deve saber responder com maturidade e estratégia. Porque o verdadeiro ponto não é Trump gostar de Portugal. O verdadeiro ponto é entender por que tantos estrangeiros gostam, investem, retornam e escolhem viver aqui.
E essa é a verdadeira força do país: não depende de uma declaração midiática, confirma-se todos os dias na decisão de quem vem, investe e retorna.
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Artigo de opinião publicado no portal imobiliário Casa Yes, em 8 de julho de 2026.